sexta-feira, 3 de abril de 2009

GÊNERO TEXTUAL: CARTAS COMERCIAIS.



Exemplo:

G & E MANUTENÇÃO E SERVIÇOS LTDA.


1. São Paulo, 20 de Março de 2009.



2. Ilmo

Sr. José Rodrigues Rocha
Chefe do Departamento de Compras
Rockpon Componentes Eletrônicos
Rua Silva Jardim, 294
São Paulo – SP. CEP – 00000-000



3. Prezado senhor:

4. Com referência à sua reclamação na carta do dia 15 do mês em curso, levamos ao conhecimento de V. Sa. os necessários esclarecimentos.

O atraso na entrega da mercadoria solicitada ocorreu não por falha de nossos funcionários, mas por problemas com a empresa entregadora. Estamos tomando as devidas providências a fim de que as mercadorias sejam entregues rapidamente.


5. Desculpando-nos pelo ocorrido e continuando à disposição de V. Sa., subscrevemo-nos




6. Atenciosamente,




7. Benevenuto Cascadura
Gerente de Vendas.



Carta Comercial e o Interacionismo Sociodiscursivo

A carta comercial situa-se entre os textos do discurso empresarial. Seu objetivo é trocar informações entre os membros empresariais por meio de um padrão textual formal e conciso. Por um longo período foi o gênero textual mais comumente utilizado e atualmente a carta comercial tem sido considerada prototípica entre as correspondências empresariais, tendo outros gêneros de correspondência empresarial derivados dela, tais como:

· O Memorando;
· O Comunicado;
· O e-mail.

Segundo Normélio Zanotto, o Interacionismo Sociodiscursivo privilegia o estudo da língua como um instrumento de interação social, não só a língua como o sistema construtivo e teórico, mas a língua transformada em discurso, viabilizado pelos gêneros de textos. Ele considera não a língua em si, nem mesmo o texto como um complexo de partes coesas, mas o texto como meio de trocas integrantes de determinada esfera da atividade humana.

Para Zanotto, o problema dos estudos imanentistas é se aterem exclusivamente aos elementos lingüístico-estruturais constitutivos do texto, sendo que,seus efeitos pragmáticos são objetivo ultimo , pois, na verdade seu objetivo mais relevante deve ser o uso adequado dos elementos lingüísticos afim de promover a dinâmica das ações humanas das diversas esferas nas comunidades discursivas.

Considerando a Carta Comercial um gênero textual mais utilizado na comunicação entre os indivíduos no âmbito empresarial, ela busca a interação social entre os membros envolvidos, interessados numa dada relação. Essa interação pode ser notada na carta acima, no momento em que o emissor buscou justificar, de forma cordial, o atraso ocorrido na entrega, mostrando-se bastante comprometido com a solução do problema, visando à satisfação de seu cliente e conseqüentemente a manutenção de uma boa relação entre ambos. Portanto, nessa relação, a linguagem cordial contribui para o fortalecimento da relação comercial.


Carta Comercial e as Leis de Grice

As chamadas “máximas conversacionais” ou leis do discurso, desenvolvidas pelo filósofo Henry Paul Grice, desempenham papel fundamental na interpretação e construção de enunciados orais ou escritos já que são definidos como um conjunto de normas que devem ser respeitadas pelos interlocutores no ato de comunicação verbal. Como propõe Grice, há um princípio geral denominado princípio de cooperação que determina que os interlocutores devam mostrar-se cooperativos, contribuindo para a construção do sentido do texto.

Segundo este filósofo, despertar a atenção do receptor exige certas condições a serem atendidas que podem variar conforme a circunstância particular e momentânea do leitor. Na construção desse vínculo, a conquista dessa relação de empatia diferente variáveis está envolvida, dentre as mais importantes estão elas:

Lei de pertinência

Significa a confirmação de que as informações contidas na Carta Comercial estão sendo encaminhadas a um destinatário que se interesse pelo assunto contido na mesma. Na carta acima, pode-se notar a pertinência no assunto por se tratar de uma explicação sobre uma reclamação procedente feita anteriormente pelo receptor, resultando num texto com informações relevantes ao entendimento do fato.

Lei da Sinceridade

Na Lei da Sinceridade, espera-se a ausência de mensagens e propostas falaciosas e que ofereçam vantagens e garantias inviáveis na realidade. Sendo assim, o texto deve apresentar uma postura ética adotando um nível de linguagem adequado. Na carta aqui exemplificada, espera-se a sinceridade nas informações prestadas, tendo como garantia de veracidade a manutenção da relação.

Lei da Informatividade

Esta lei exige que se restrinja o uso de mensagens, que não acrescentem valor, e estimular a presença de informações novas que agreguem valor, levando-se em consideração a necessidade por parte do destinatário em tomar conhecimento de coisas novas. De acordo com o conteúdo da carta acima, podemos notar a presença dessa lei no momento em que o emissor informa que o culpado pelo atraso é a entregadora, dando assim, uma informação nova ao receptor que pode a partir daí tomar novas providências para a resolução do problema.

Lei da Exaustividade

Esta lei enfoca a necessidade de evidenciar todas as informações relevantes de forma exaustiva, buscando eliminar a ocultação de informações. Podemos notar na carta acima que essa lei poderia ter sido mais utilizada, informando descrições sobre a mercadoria a ser entregue, tendo em vista que, esse cliente pode ter vários casos semelhantes com outros fornecedores e essa descrição poderia ser-lhe útil na compreensão da informação.


Arquitetura e o texto global da carta comercial

Texto global é o conjunto de todos os elementos que constituem o texto, a arquitetura prototípica da carta comercial constitui – se de elementos textuais e paratextuais.


1. Os Elementos Textuais:

É a essência do texto global e são responsáveis pelo propósito comunicativo principal. Compreende o primeiro até ultimo parágrafo do enunciado textual.


No exemplo:

Os itens 04 e 05.

2. Os Elementos Paratextuais:

É o conjunto de fragmentos verbais que acompanham o texto propriamente dito, informa o remetente, o texto no tempo e no espaço e oferece credibilidade por meio de informações presentes nos elementos contextualizadores.

No exemplo:

Os itens 01, 02, 05 e 06.

2.1 Pré-textuais:

São os elementos iniciais presentes na carta comercial e aparecem na forma de timbre, local, data e endereçamento interno.

2.1.2 Timbre:

Distingue um impresso de outros utilizando indicação de propriedade, qualidade, categoria e origem.

No exemplo:

Logomarca da empresa.

2.1.3 Local:

Determina de onde está sendo expedida a correspondência. Elemento sempre inserido por iniciativa do redator e não de forma pré-impressa.

No Exemplo:

O item 01.
2.1.4 Data:

A data deve ser encarada de forma indispensável, pois, existem correspondências que podem ser tratadas de títulos e duplicatas, como por exemplo.

No Exemplo:

O item 01.

2.2 Pós-textuais:

São os elementos que figuram após o texto.

No exemplo:

Itens 06 e 07.

2.2.1 Frases de fechamento e formula de respeito:

São frases que normalmente se caracterizam como previsíveis, variam pouco, dando um fechamento ao assunto tratado.

No exemplo:

Item 05.

2.2.2 Assinatura:

É imprescindível, pois confirma a autoria e/ou confiança na que há escrito logo acima.
Tipos de assinatura:
· Por extenso ou do próprio punho: Pessoalmente de forma completa;
· Rubrica: Abreviada, parte do nome, sobrenome ou as iniciais;
· Nome: Somente o nome;
· Chancela: De forma mecânica.

No Exemplo

Item 07

3. Iniciais:

Não é muito utilizado o registro de iniciais do redator, está em desuso, já que se remete a época em que as cartas eram de forma manuscritas, onde o superior imediato deveria sempre assinar, hoje as empresas buscam que seus agentes executem as tarefas em todas as etapas redigindo, assinando e enviando seus textos.

4. Avisos de cópias e anexos:

Sempre é válido informar ao remetente o envio de anexos e o aviso de cópias iguais para outros destinatários se torna sensata, visto que auxilia como devem agir os co-destinatários na execução e/ou resposta do enviado.

5. P.S.:

Inicialmente utilizado para colocar algo que havia sido deixado de fora do texto principal, hoje é usado para destacar algo relevante.


A Organização Retórica e os Propósitos comunicativos


Segundo o Professor José Mariano, Carta Comercial é a correspondência tradicionalmente utilizada pela Indústria e pelo Comércio. Como qualquer outra, é um instrumento de comunicação que se restringe a determinada área empresarial e/ou comercial, razão por que tem características próprias. Ela possui uma linguagem simples, evitando-se preocupação com enfeites, correta, com exata observância das normas gramaticais e concisa, informando com economia de palavras.

A organização retórica de um texto tem por finalidade essencial convencer, ou persuadir, a audiência. E se analisarmos o exemplo acima, perceber-se ela é objetiva e convincente, relatando o porquê do atraso da mercadoria. Sua organização retórica foi apresentada, por exemplo, timbre, vocativo, fecho, assinatura. O seu propósito principal é o que justificar a emissão do documento (explicação porque a mercadoria atrasou), pois inexistindo esse propósito, desaparece a razão de ser do documento.

A carta comercial tem a finalidade de estabelecer contato estritamente profissional entre duas empresas, e na sua grande maioria, esse contato geralmente se inicia com uma das partes fazendo uma solicitação. E seu propósito comunicativo é dividido em Secundário e Dominante.

O propósito Secundário seria nesta carta acima os itens: 1, 2, 3,4, 5 e 7. O Dominante seria o 4. E a parte dominante é o propósito comunicativo, que constitui a verdadeira mensagem, o enunciado central, por isso permite o entendimento da mensagem pelo receptor. Explicar o motivo pelo atraso da mercadoria é o enunciado central da carta comercial exposto acima, ou seja, o que realmente se deseja é informar ao cliente o que levou o atraso da mercadoria, com suas repercussões enunciativas, pragmáticas, semânticas e sua organização retórica.



Referências Bibliográficas:

Zanotto, Normélio. E-mail e carta comercial – estudo contrastivo de gênero textual. Caxias do Sul. Ednes 2005.

Scribd.http://www.scribd.com/doc/6609404/01-ced-introducao-carta-comercial. Acesso em 30/03/2009 às 09:46 horas.

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